Piratas cobram 300 mil milhões de Kwanzas à Unitel após ataque à rede
Neste Artigo
1. A chantagem financeira e a dimensão da exigência dos atacantes
O ataque informático que paralisou os serviços da maior operadora de telecomunicações do nosso País ganhou contornos ainda mais graves com a confirmação das exigências formuladas pelos atacantes. Os piratas informáticos responsáveis pela invasão dos sistemas centrais da Unitel fixaram o valor de resgate em 300 mil milhões de Kwanzas para fornecer as chaves de desencriptação necessárias à recuperação total dos ficheiros e bases de dados bloqueadas.
Esta quantia exorbitante reflete uma estratégia agressiva típica de redes internacionais de cibercrime, direcionada contra infraestruturas críticas de grande porte financeiro. Ao sequestrar o tráfego de dados e os servidores operacionais da empresa, os atacantes procuram alavancar a paralisação do País e o consequente impacto económico sobre 20,8 milhões de clientes para forçar o pagamento do montante exigido.
Diante desta extorsão, o posicionamento institucional em situações de ciberataques contra ativos estratégicos do Estado ou de empresas concessions passa pela recusa firme em ceder a chantagens financeiras. O pagamento de resgates a grupos criminosos é desencorajado por peritos em segurança digital, uma vez que não garante a restituição segura da informação e alimenta o financiamento de novas operações ilícitas no espaço cibernético.
2. O mecanismo de encriptação dos sistemas e os prejuízos no ecossistema nacional
A tática utilizada pelos piratas informáticos assentou na introdução de programas maliciosos de sequestro de dados na rede interna da operadora. Este tipo de código atua bloqueando o acesso aos ficheiros essenciais do Data Center, tornando os sistemas inoperacionais a menos que seja inserida uma chave de descodificação exclusiva, mantida sob posse dos invasores.
A indisponibilidade prolongada da infraestrutura central da Unitel continua a gerar perturbações em cadeia em diversos sectores produtivos e sociais de Angola. O bloqueio dos canais de transmissão inviabilizou a operação de terminais de pagamento automático em estabelecimentos comerciais, paralisou o acesso a plataformas de faturação corporativa e impediu o funcionamento normal de aplicações de mobilidade, entregas e serviços de banca à distância.
Para além das perdas diretas nas receitas de tráfego de voz e pacotes de dados da própria operadora, os prejuízos indiretos acumulados pelo tecido empresarial aumentam a cada hora de paragem. A incapacidade de validar transações comerciais e de manter a comunicação entre equipas de trabalho acentuou a urgência de uma solução técnica soberana que permita repor a operacionalidade sem ceder às exigências financeiras dos chantagistas.
3. As ações de mitigação e o desafio da reconstituição das bases de dados
Perante a recusa em negociar o valor exigido pelos piratas informáticos, as equipas de engenharia e os especialistas em cibersegurança afetos à operadora mantêm um esforço contínuo para reconstruir os ambientes tecnológicos afetados a partir de cópias de segurança isoladas. A tarefa de saneamento exige o isolamento completo de cada servidor para garantir que o código malicioso seja totalmente eliminado antes do restabelecimento dos serviços.
Esta operação de reconstrução é altamente complexa, pois implica a verificação minuciosa de milhões de linhas de código e a validação das tabelas de dados de faturamento e de clientes. A reposição progressiva da rede está a ser efetuada por fases, dando prioridade aos eixos estratégicos de conectividade e às ligações com instituições de utilidade pública, no sentido de mitigar o impacto do apagão digital sobre a população.
O episódio coloca em evidência a fragilidade da dependência tecnológica sem mecanismos de redundância totalmente imunes a intrusões externas. O caso serve de aviso rigoroso a todas as grandes empresas e instituições do País sobre a necessidade de reforçar os investimentos em arquiteturas de segurança multinível, autenticação rigorosa e políticas de cópia de segurança fora da rede principal.
4. Resumo dos elementos centrais do pedido de resgate à Unitel
Para analisar de forma estruturada os dados confirmados sobre o pedido de resgate e o estado do incidente na operadora, a tabela abaixo reúne as informações chave sobre a ocorrência.
Features do Incidente
| Parâmetro da Exigência | Detalhe da Ocorrência |
| Montante de Resgate Exigido | 300 mil milhões de Kwanzas |
| Natureza do Ataque | Sequestro e encriptação de dados corporativos |
| Alvo da Ação Criminosa | Servidores centrais e Data Center da Unitel |
| Impacto na Operação | Indisponibilidade de voz, dados e pagamentos |
| Volume de Utilizadores Afetados | Cerca de 20,8 milhões de clientes |
| Estratégia de Resposta | Reconstrução técnica via cópias de segurança |
| Sectores em Risco | Comércio, banca, transportes e comunicações |
5. Conclusão
A exigência de 300 mil milhões de Kwanzas por parte dos piratas informáticos eleva o ciberataque contra a Unitel ao patamar dos maiores incidentes de extorsão digital registados na região. A resposta firme das equipas técnicas, focada no restabelecimento autónomo das redes e na recusa do pagamento do resgate, é determinante para defender a soberania das infraestruturas de telecomunicações do nosso País e restabelecer a estabilidade no tecido económico nacional.
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Escrito por
Afonso Macosso
CEO Novo Direito
Afonso Macosso é Chief Publishing Editor do Novo Direito, a principal plataforma gratuita de cálculo de indemnizações laborais em Angola. Licenciado em Engenharia Informática, conta com mais de duas décadas de experiência em tecnologia, desenvolvimento de software e transformação digital. No Novo Direito, lidera a estratégia editorial da plataforma, trabalhando em estreita colaboração com advogados, juristas e empresas de consultoria para garantir a publicação de conteúdos rigorosos, atualizados e de elevado valor para trabalhadores, empregadores e profissionais da área jurídica.
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